
Entre o ser e o não ser
E existem estas questões, cujas respostas eu vislumbro entre olhos cerrados.
Eu sei... Seriam algumas dezenas de sessões de análise.
Não faltaria assunto...para o terapeuta.
Perdoem-me, por favor, todos aqueles que me dispensam tanto carinho, tanta consideração, e em retorno não recebem nada mais que o silêncio que ecoa no vazio.
Minha culpa, minha máxima culpa.
Aqui, neste blog, já expus muito mais a minha vida do que muitos possam sequer imaginar.Momentos de dor, raiva, frustração, alegria e exultação.
Muitos compreenderam, e compartilharam estes momentos comigo.
Muitos me enxergaram como aquela que eu sempre quis ser, e nunca fui.
E é bom... Ah! Como é bom quando alguém enxerga qualidades em nós, que supúnhamos não existirem.
Me fez ( e faz) um bem enorme.
A amizade, o carinho.
Mas o compromisso...este me assusta.
(Neste ponto é que entra o terapeuta)
Se me disserem que eu tenho que fazer, eu arranjo um meio de desviar, e não faço. Se esperarem de mim uma atitude, e eu sequer desconfiar, pode esquecer...ela nunca acontecerá.
Por quê? Não sei.
Não suporto a idéia de ter alguém me sugerindo atitudes e comportamentos. Não suporto a idéia de que alguém espere algo de mim.
Então me retraio, fecho-me em minha concha, e espero que o dia lá fora acabe. Saio somente quando percebo que a noite caiu, e que posso sair em segurança, sem ser notada.
Alguém já me disse - ou foram alguéns? não sei dizer ao certo -, que eu acabaria minha vida completamente só.
Por ser assim deste jeito impulsivo, por achar que tenho o direito de dizer o que penso - e eu tenho - doa a quem doer.
Às vezes insegura, tenho medo da visão...
Só. Completamente só.
Alguém de quem todos desistiram, por não valer à pena a tentativa.
Assim me sinto, na maior parte do tempo.
E não espero condescendência, longe de mim.
Que a última coisa que eu quero de alguém, é que sinta pena de mim.
Estou acostumada a ser e viver assim.
Alheia e infeliz.
Sim, eu sou infeliz a maior parte do tempo.
Mas quem disse que a felicidade existe em tempo integral?
Eu brinco, rio, canto, pulo, danço, como todo mundo.
E tento, na medida do que me é possível, não me tornar na vida dos que me cercam, uma carga que se tem que carregar por não haver escolha.
Ser quem você é exige uma boa dose de coragem e determinação, para que ao longo do caminho não acabe se transformando na pessoa que os outros esperam que você seja.
Ser quem eu sou tem me proporcionado muitas alegrias, e muitas decepções também. Mas este é o jogo. Ou se ganha, ou se perde. Não há meio termo.
E é este estica e puxa, este jogo de gato e rato , esta eterna busca que me motiva e mantém em movimento.
Às vezes eu canso, então eu paro e sento ao longo do caminho.
E logo me apercebo de que a vida não pára pra me esperar.
Ou eu corro, e tomo meu lugar, ou desisto e deixo ela passar.
Estou tentando ... estou tentando.
Se isso explica ou não minhas atitudes,
se justifica ou não minha presença e/ou ausência,
Só o tempo...
só ele dirá.




"Abraça-me" da lusitana Rute Rosas faz parte da mostra "Água de Colônia"
Você tem um amante?
São tantos e os mais diversos, para cada um de nós, os incentivos, as motivações.
Eu sou assim instintivamente:
Apaixonada pela vida e pelas pessoas.
E se for levar o que esta pessoa aqui diz à risca, deverei ser então a mais 'promíscua' de todas as mulheres.
Pois são tantos os meus amantes que já perdi até a conta.
A leitura, a música, a boa música diga-se de passagem.
Me apaixono pelos autores, e passo a 'namorar' seus livros.
Me apaixono pelos compositores, e torno-me amante de suas músicas.
E dizer que já fui amante de Isabel Allende, Hilda Hilst, Garcia Marquez, Fernando Pessoa, Oscar Wilde!!
De Bono, James Hetfield,Mick Jagger, Queen, James Taylor, Bach, Bizet e Mozart!!
Ah!! Sim...mas há sempre um alguém...AQUELE alguém.
Alguém que faz a gente pensar em como a vida é bela só por sua simples e pura existência neste mundo.
A estas pessoas, só nos resta agradecer.
Elas às vezes nem desconfiam, mas são sim, nossa motivação de viver.
São nosso motivo para sorrir todos os dias.
Nosso último pensamento antes de dormir, e o primeiro ao acordar.
Estão lá, nos nossos sonhos, em todos eles, em cada detalhe.
A você, que transforma minha vidinha simples e pacata, todos os dias,
numa super-produção digna de todas as luzes da ribalta;
Que me empresta suas cores para com elas colorir os meus dias cinzentos;
Meu muito, muito obrigada.

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